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Estratégia

A importância da Estrutura de Capital no valor das empresas

Por Luiz Koerich · Consultor empresarial · MBA no Reino Unido

Muitas vezes o empresário se pergunta: devo investir recursos próprios ou buscar capital de terceiros? O que é mais vantajoso: recorrer ao capital próprio ou buscar financiamento em bancos, financeiras, emissão de dívida etc.? Se houver investimento de terceiros a empresa irá valer mais do que se ela for financiada somente pelo capital dos sócios? Segundo a teoria financeira tradicional (a qual se difere do teorema de Modigliani-Miller), existe um ponto ideal da relação entre capital próprio e de terceiros na composição da Estrutura de Capital de cada empresa. E neste ponto a empresa tem seu valor máximo no nível de operação em que ela se encontra.

Apesar de muitos imaginarem que o capital próprio é menos oneroso que o de terceiros, isso não é verdade. “Simplisticamente” falando, em Finanças o custo do capital próprio segundo o modelo CAPM, é calculado pela taxa livre de risco somada ao coeficiente beta multiplicado pelo prêmio de risco. Já o custo do capital de terceiros é o juros pago pelo montante recebido. Há várias abordagens para calcular o custo do capital de terceiros. Uma muito utilizada (mas menos precisa) é a divisão da despesa com juros do resultado corrente pela dívida bruta. Outra, chamada Yield to Maturity refere-se a calcular o custo da dívida até o seu vencimento ajustando pelo benefício fiscal. Outra ainda, indica calcular o custo da dívida por meio de rating de empresas do segmento, com risco semelhante, ajustando-o pelo benefício fiscal.

O custo do capital de terceiros é “mais barato”, pois contém somente o risco financeiro e não o risco econômico do negócio. Assim, não estaria envolvido no risco da operação da empresa, o risco advindo do mercado, concorrentes, tecnologia, regulação etc. Ademais, o capital de terceiros conta com um benefício fiscal, o qual proporciona um abatimento no pagamento de IR e CSLL contribuindo para que ele seja menos oneroso.

Sendo o capital de terceiros “mais barato” que o próprio, por que não capitalizar a empresa com o máximo possível deste capital? Porque o custo do capital vai aumentando conforme aumenta-se o endividamento e consequentemente o risco. O emprestador do recurso vai exigindo um retorno cada vez maior a medida que alavancagem aumenta. Assim, há um ponto ótimo para a utilização do capital de terceiros, há um ponto ótimo para a alavancagem, porque ultrapassado este ponto o benefício de usar o capital de terceiros (mais barato) é ultrapassado pelo aumento do risco causado pela sua utilização. Este ponto é encontrado fazendo-se simulações de cálculo do custo de capital médio pelo método WACC com as diversas proporções entre os tipos de capital.

Para finalizar, a Estrutura de Capital ótima é aquela que corresponde a proporção ideal, entre capital próprio e de terceiros, a proporção que representará o menor custo de capital médio da empresa (WACC). Com isso, na avaliação de seu valor, quando forem trazidos os fluxos de caixa a valor presente descontados pelo custo de capital médio, este valor será o máximo, o maior possível, dentro daquele nível de operação. Adotar a Estrutura de Capital ideal minimizando o custo médio de capital é maximizar o valor da empresa!

Sobre o autor

Luiz Koerich é consultor empresarial, formado em Administração e Direito, com pós-graduação em Finanças e Contabilidade e MBA pela The University of Manchester (Reino Unido). É fundador da Melhores Resultados Consultoria Empresarial, em Blumenau/SC. Conheça o consultor.

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